Comandante da 2ª Bateria fala sobre caso de militar que tentou suicídio

O Major Ivan, comandante da 2ª Bateria de Artilharia Antiaérea em Livramento, disse que toda as denúcias feitas pelo militar foram investigadas, sem que houvesse comprovação de nenhuma delas   

O Sargento Doze permaneceu durante três horas e meia no alto da torre da Embratel, no centro de Sant’Ana do Livramento

Depois de uma tarde de suspense e tensão, com a mobilização de um grande efetivo de forças policiais para o centro da cidade, em razão da suposta tentativa de suicídio anunciada pelo sargento do Exército Brasileiro, Julio Cesar Figueiredo Doze, na tarde da última terça-feira, o comandante da 2ª Bateria de Artilharia Antiaérea em Sant’Ana do Livramento, Major Ivan, recebeu a reportagem do jornal A Plateia para comentar os fatos e dar a versão oficial da instituição.

Por volta das 8h30 da manhã de ontem, menos de vinte e quatro horas depois do ocorrido, o comandante da Organização Militar, de forma clara, fez questão de esclarecer questões que transcenderam os muros do quartel e tomaram uma grande proporção, a partir do anúncio, ainda no alto da torre da Embratel, no centro da cidade, de que supostas irregularidades ocorridas já há alguns anos, precisavam ser esclarecidas.

“O Exército Brasileiro acatou todas as solicitações de investigação feitas pelo sargento Doze, e todas elas foram averiguadas exaustivamente, sem que, até o presente momento, pudéssemos constatar a veracidade de quaisquer fatos por ele levantados. Cabe salientar que o sargento está afastado das suas funções em razão de um tratamento de saúde, uma vez que seu quadro requer tratamento e acompanhamento psicológico. Todo o acompanhamento e assistência estão sendo dados pelo Exército Brasileiro, tanto para o sargento, quanto para sua família. O Sargento Doze invadiu uma área que nenhum cidadão, com exceção daqueles devidamente autorizados, poderiam ter ultrapassado. Essa transgressão deverá receber a devida sansão, mas essa é uma questão interna do Exército. Agora, o que podemos afirmar é que ele está sob tratamento médico”, afirmou o major Ivan. Sobre as irregularidades que o sargento Doze diz ter descoberto e pedido insistentemente para que sejam apuradas, o comandante da 2ª Bateria de Artilharia Antiaérea disse que ao denunciante cabe o ônus da prova de todos os fatos por ele apontados.

Ao ser questionado sobre a conduta do sargento sob seu comando, o Major Ivan disse que este ainda não pôde ser avaliado, uma vez que no mesmo dia em que assumiu o comando da unidade, um novo fato foi provocado pelo soldado, fazendo com que esse viesse a incorrer em uma nova atividade considerada fora dos padrões aceitáveis pelo EB. 

Coração de mãe 

Major Ivan, Comandante da 2ª Bateria de Artilharia Antiaérea

Por volta das 11h de ontem, um telefonema feito direto à redação do jornal A Plateia, proveniente da cidade de Curitiba, despertou a curiosidade e chamou a atenção pelo teor das afirmações.

Do outro lado da linha, Suzana Figueiredo, 53 anos, professora, mãe de quatro filhos, um deles Julio Cesar Figueiredo Doze, o homem que um dia antes havia subido em uma torre com mais de trinta metros de altura ameaçando se jogar.

Com voz embargada e dizendo temer pela vida do filho, a mãe do sargento disse que tudo o que mais quer é a permissão para ter seu filho internado em uma clínica na cidade de Curitiba, para que possa dar continuidade ao tratamento perto da família.

“Há uma semana atrás, eu estive em Livramento junto com meu filho, e fui testemunha de fatos que fizeram com que ele ficasse muito nervoso. Ontem, durante todo o tempo em que ele estava no alto daquela torre, meu coração estava se despedaçando, enquanto eu rezava e tentava convencê-lo a descer daquele lugar. Meu filho é um homem correto, não é nenhum ladrão. Ele chegou a dizer para mim que não tinha mais porque viver e não tinha medo de morrer. Disse que foi humilhado e isso teria sido a motivação para que ele cometesse tal atitude”, destacou.

Distante do filho, a professora Suzana diz que o pai, do qual está separada, mora na cidade de Cruz Alta, localidade que viu o sargento nascer, há 28 anos atrás. “Não temos muito contato com o pai dele, mas ele sabe dos fatos que estão ocorrendo”, afirmou.

Ao comentar as declarações de que seu filho teria ameaçado colegas de farda, a mãe do sargento disse não acreditar que seu filho tenha cometido tal ato. “Eu conheço meu filho, e não acredito que ele tenha feito isso. Eu já cheguei a pedir para o psiquiatra que o trata para que lhe dê alta. Assim, ele poderia sair do Exército, ou ser dispensado, não sei exatamente como isso funciona, e deixar toda essa história que tanto o perturba de lado. Eu gostaria muito que meu filho saísse do Exército. Por que eles simplesmente não mandam meu filho embora, para que ele fique perto de mim e eu possa cuidá-lo? Eu não entendo”, afirmou Susana Figueiredo, claramente emocionada.

 Cleizer Maciel
cleizermaciel@jornalaplateia 

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1 Comentário

  1. Avien

    Quero saber o motivo pelo qual o sargento Doze tentou o suicídio, porque o Maj não contou? Nào só eu mas creio que todos leitores. Em Brasília a semana passada um Sgt entrou com um facão no HMAB, hospital militar, quebrou equipamentos, porque não conseguia marcar consulta, e também o internaram na psiquiatria, o Sgt da Aeronáutica que deu vôo razante e quebrou os vidros do Palácio do Planalto, com certeza sabia o que estava fazendo, pois é um profissional qualificado, também foi punido, realmente tem coisa errada aí, na minha modesta opinião quem precisa de psiquiatra e punição sào os Chefes do Executivo que não se preocupam com os salários das três Forças Armadas que estào com o salário lá em baixo, aquém dos demais, Legislativo e Judiciário.
    Marinha, Exército e Aeronáutica existem para defender o Poder constituído, sào homens treinados, a maioria com muitos cursos não são qualquer servidor que senta atrás de uma mesa e espera o tempo passar, ou que vão trabalhar na terça e na quinta já não vão mais, como temos no Poder. Brasil! Viva as Forças Armadas! Chefes procurem primeiro saber a raiz do problema para depois tomarem iniciativa. O maior cego é aquele que não quer ver.

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