Linha transparente

Já é possível enxergar de um lado a outro da Praça José Antônio Flores da Cunha – ou simplesmente “Pracinha dos Cachorros” – e também do Largo Treinta y Tres Orientales, na linha imaginária que divide e une Livramento e Rivera na Fronteira da Paz. Neste final de semana, foi a vez dos camelôs do lado uruguaio levantarem acampamento e se mudarem para um local provisório onde deverão aguardar a definição de uma nova estrutura para trabalhar. Assim como aconteceu com o lado brasileiro, a desocupação do chamado camelódromo teve data e hora marcados pela Intendência, e essa marca foi cumprida exatamente conforme o previsto. Teve gente insatisfeita? Com certeza. Afinal de contas, nenhum empresário gostaria de ter que entregar um ponto já consagrado junto a seus clientes, em local privilegiado e, principalmente, com baixíssimo custo de manutenção.

Mesmo assim, todos os trabalhadores atenderam à determinação porque reconhecem a justiça e correção na iniciativa de acabar com a desorganizada aglomeração onde vinham trabalhando há tanto anos, admitem que é preciso encontrar-se uma solução que lhes permita continuar trabalhando mas ao mesmo tempo permita a todo cidadão fronteiriço orgulhar-se de um de seus principais símbolos, que é a linha divisória, e querem por fim conquistar um espaço definitivo onde não mais sofram a permanente pressão da coletividade que se tem visto ao longo dos últimos meses. Um sentimento que representa a vontade de ver Livramento e Rivera avançando no sentido de um crescimento planejado, ordenado, em que todos dêem sua cota de sacrifício e possam colher igualmente os benefícios que devem advir de um movimento ainda maior de turistas, e principalmente de turistas que encontrem na “linha divisória” que visitarão a partir de agora uma motivação a mais para permanecer na fronteira e aqui gastem um pouco mais de seu dinheiro.

A construção de uma área de divisão e integração bem cuidada, embelezada, urbanizada e humanizada será a representação de uma sociedade que pensa seu amanhã, que atende às demandas de seu público, que trabalha para oferecer o melhor a quem lhe traz o subsídio para seu desenvolvimento econômico e social. Livramento já havia dado um importante passo ao desocupar definitivamente a praça, que agora se prepara para sua restauração. Rivera avançou ainda mais com a retirada de seus vendedores e a liberação do Paseo Treinta y Tres. Ontem mesmo já era possível olhar de um lado a outro daquele espaço que há bem pouco tempo se consistia em uma barreira de barracas e puxadinhos. A “linha” ganha transparência. E a comunidade da fronteira, a volta de seu espaço mais nobre.

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