Delegado Alessandro fala sobre inquérito que apurou desvios da Santa Casa

Administrador-Geral da época (2007/2008) foi denunciado por crimes de peculato e estelionato

Delegado Federal Alessandro Lopes

Após quatro anos de instaurado o inquérito policial que apurou a denúncia sobre desvio de verba pública federal no Hospital Santa Casa de Livramento, na administração dos anos de 2007/2008, o delegado Alessandro Lopes, que coordenou as investigações, falou sobre o complexo caso que, finalmente, foi remetido à Justiça Federal.

O inquérito que havia sido remetido inicialmente ao Ministério Público Federal teve a denúncia aceita pelos crimes de peculato e estelionato e já tramita uma ação penal na Justiça Federal de Sant’Ana do Livramento.

Durante entrevista, na manhã de ontem, 22, ao Jornal da Manhã da rádio RCC FM, Alessandro Lopes destacou detalhes das investigações e sobre a conclusão final do inquérito. Ao falar sobre a apuração dos fatos para colher dados que comprovassem o desvio de verba pública, o delegado disse que se deparou com uma falta de controle enorme. “O que se percebeu, na Santa Casa, é que quem trabalhava na mesa e na provedoria não promoveu o devido controle. Conclui-se que em um determinado momento, a Santa Casa era administrada como um bolicho de esquina, não havia um controle, nem balanço, e por isso a demora nas investigações”.

O responsável pelas investigações disse que o caso foi bastante complexo, devido a uma série de fatos. “Havia desvio de pequena monta, até valores maiores, que ultrapassavam R$ 80 mil e R$ 100 mil. Também ocorreu a compra de um equipamento, uma usina de oxigênio, superfaturada. Então, para cada fato desses, foi necessário fazer o levantamento e verificar se realmente aquele valor foi desviado e se foi obtida uma vantagem deixando um prejuízo à Santa Casa”.

O delegado explicou, também, que conforme a lei, as pessoas que ali trabalhavam e que contribuíram para este eventual desvio, foram consideradas servidoras públicas. “Pela lei, mesmo sendo agente particular, foi considerado funcionário público. Duas destas pessoas foram indiciadas por peculato – crime de subtrair bens e valores do serviço público. Um deles é o diretor-geral da Santa Casa na época, e as demais pessoas eram da administração, mesa administrativa e provedoria, as quais foram denunciadas por peculato culposo – sem dolo. Essas pessoas não foram denunciadas na ação penal, até porque a pena de peculato culposo é bastante pequena, de três meses a um ano. Em função disso, possivelmente até o fim da ação penal, os crimes estariam prescritos e, por conta disso, o Ministério Público não ofereceu a denúncia, por entender desta forma”.

Quanto ao diretor-geral na época dos fatos, o mesmo poderá pegar prisão se condenado, de dois a 12 anos, pelos crimes de peculato e estelionato. “Ainda para o administração geral, haverá um aumento de pena, pois quando são cometidos crimes em sequência, considera-se um crime continuado”, destacou Alessandro. 

Atual administração:

Administrador:
O atual administrador-geral da Santa Casa, Adolfo Ferreira, preferiu não se manifestar a respeito das declarações do delegado Alessandro Lopes, por desconhecer os fatos da época.

Provedor:
Já o atual provedor do Hospital, Dr. Carlos Alberto Viera, disse: “Apesar de não ter conhecido o administrador denunciado, estou contente de que a Justiça está andando, ou seja, trazendo à luz aquilo que esteve no escuro naquele período. Fora isso, não tenho mais o que comentar”.

Notícias Relacionadas

Os comentários são moderados. Para serem aceitos o cadastro do usuário deve estar completo. Não serão publicados textos ofensivos. A empresa jornalística não se responsabiliza pelas manifestações dos internautas.

Deixe uma resposta

Você deve estar Logando para postar um comentário.