Política para a Juventude

Mesmo que o papel da juventude seja reconhecido como essencial para o processo de desenvolvimento e um conjunto de iniciativas venham sendo implementadas pelo governo desde 2005, com o lançamento do Projovem, ainda estamos muito distantes de uma Política Nacional para a juventude, que qualifique os espaços públicos e especialmente garanta participação e oportunidades aos jovens brasileiros. Com efeito, desde os grandes encontros nacionais e internacionais que vem se realizando no período e as iniciativas regulatórias como o Estatuto da Juventude os reconhecimentos têm sido precários. E o mais preocupante é o total desinteresse juvenil pelos grandes temas nacionais, demonstrando um distanciamento das decisões políticas e sociais. A postura atual é de pouca participação e de repúdio ao convencional. As expectativas da juventude e a forma de comunicação são diferentes. O discurso, sem foco nos temas de interesse juvenil e os diálogos tradicionais não são atrativos. Ao contrário, rejeitados. Os jovens, na maioria são afeitos às redes sociais, onde o debate e as formas de expressão são livres. Neste espaço, o conteúdo sobre os escândalos de corrupção e desvios de conduta são permanentes, gerando mais descrença. O engajamento e a militância, que foram expressivos nas gerações anteriores não mais acontecem da mesma forma. As multidões de jovens “cara pintada” pela democracia ou nos movimentos estudantis, são manifestações do passado. Agora, a palavra de ordem é substituída por uma singela convocação pela web. Um ponto de encontro, que vai reunir também desocupados em manobras de protesto sobre os mais distintos temas que tenham abrangência coletiva e interesse social. Os próprios instrumentos instituídos pelos governos são de difícil implementação. O debate e a mobilização como na última Conferência Nacional da Juventude até acontece nas agendas formalmente constituídas, mas não alcançam o resultado esperado. Vários objetivos inclusivos repercutem os desafios juvenis, como a elevação da escolaridade e o próprio processo educacional, através de incentivos, bolsas, capacitação profissional, inclusão digital e o mais importante, geração de oportunidades para ocupação e trabalho. Está aí a essência de uma política pública para a juventude, investindo forte na educação e na possibilidade de todos terem acesso ao ensino, bem como, compatibilizando a formação, seja profissional, ou tradicional com um conjunto de oportunidades, que garantam melhoria de vida aos jovens brasileiros. Nunca devemos esquecer que educação é dever e direito do cidadão, visando o desenvolvimento pessoal, preparo para a liderança e o trabalho. Este preceito é que deve ser o principal indutor de uma política pública para a juventude. 

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