Hanney Cavalheiro: a volta, com fé em Deus

Hanney com a esposa Daise e as filhas Maria Mathildes e Hannya.

Após 12 anos fora da política, advogado obtém mandato de vereador e repete slogan de campanha: “Agindo Deus, quem impedirá?”

Hanney Cyd Har Cavalheiro, 52 anos, após 12 anos, retorna à política e ao Legislativo. Filho de Arquilau Flores Cavalheiro e Maria Mathilde Har Cavalheiro, nasceu e foi criado na avenida 24 de Maio, com o irmão Halley Cyr. Por parte de pai, tem mais quatro irmãos, Magda, Clarinda, Luis Henrique e Elizabeth. Formado em Administração de Empresas pela Aspes (1980 a 1983) e em Direito pela Urcamp, na primeira turma (1992 a 1996), desde os primeiros anos da vida escolar atuou nos grêmios estudantis. Cursou as séries do primeiro grau no colégio General Neto, onde integrou o Grêmio Estudantil do educandário. O mesmo ocorreu no segundo grau, cursado no colégio Santa Teresa, onde fez parte do Grêmio Estudantil Tristão de Athaíde. Na universidade, não foi diferente. Presidiu o Diretório Acadêmico Thomaz Albornoz em duas oportunidades e outras duas, o DCE da Urcamp.

Tem quatro filhos, sendo Evvillyn Liege Linn Cavalheiro e Hanney Cyd Har Cavalheiro Júnior – também advogado – do primeiro casamento, e Maria Mathilde de Sousa Cavalheiro e Hannya de Souza Cavalheiro do atual. É casado com Daise Beatriz Oliveira de Sousa Cavalheiro.

Quando guri, jogava futebol na rua. “Não havia campos cercados, jogávamos na rua mesmo” – conta, relatando que aos 8 anos já trabalhava, carregando bananas para o Depósito de Bananas do Dario, bem como tijolos e materiais de construção par Jovelli Bassúa. “A gente vendia ossos, vidros. Tudo para conseguir um dinheirinho para ir à matinée assistir os filmes do Tarzan, do Mickey e do Patinhas. Íamos para a primeira comunhão na Igreja Matriz, mas era uma desculpa para que ficássemos sabendo quais filmes seriam exibidos nas três sessões do Planella, do Colombo ou em Rivera, no Grand Rex. Minha infância e adolescência foram maravilhosas” – conta. Ele recorda que fazia parte do Interact Club da cidade. “Havia um grupo no colégio das irmãs. Eram mais ou menos 20 jovens, e fazíamos as festas nas casas dos amigos, nos fins de semana, ou íamos para o Palacinho comer banana split” – recorda.

Cavalheiro relata que o pai, oficial do Exército, trazia Águias – pandorgas – para venda, o que ajudava no orçamento da casa. “Eu o ajudava a vender as Águias e os fatiadores de batatas, ou ainda, com 10 anos, ia com ele vender porta-documentos marrons na frente da Swift Armour, nos dias de pagamento. Foi aí que aprendi a ter gosto pelo trabalho com vendas. Além disso, passava algumas tardes na casa do meu tio, Luacir, que tinha armazém na 24 de Maio e ajudava, atendendo as pessoas. Lá fazia o lanche e lia os jornais” – rememora.

O vereador eleito comenta que serviu 11 meses no esquadrão de Comando do 7º RC Mec, onde, inclusive, fez curso de cabo – no 3º BLog, mas não tinha perfil para seguir a carreira do pai. Queria entrar na universidade. Assim, na Aspes, foi cursar Administração de Empresas. Ao mesmo tempo, conseguiu o primeiro emprego. “Fui trabalhar na Prefeitura Municipal, no setor de compras, com o seu Molina e, dali algum tempo, fui convidado para trabalhar na procuradoria jurídica, com minha tia, Ceci Har Rosso” – relata.

Depois de algum tempo, segundo Cavalheiro, fez o concurso para a Caixa Estadual, em 1982, tendo assumido função no banco e, após um ano, foi transferido para Porto Alegre. Permaneceu lá até 1985, quando trabalhou na Editora Delta, retornando para Livramento para vender livros. “Vendia para todo o Brasil. Como os livros da Delta eram caríssimos e só a classe A comprava, decidi comprar livros para revender mais barato, para quem não tinha recursos para comprar as enciclopédias Delta” – informa. Depois disso, conta ter trabalhado no comércio de produtos embutidos do frigorífico Excelsior. “Sempre mantive o comércio de livros que foi com o qual paguei a faculdade de Direito” – comenta.

Advogado há 16 anos, afirma sempre ter participado da política e na época da faculdade, com o colega Rafael Pereira Pintos, foi fundador do PSDB em Livramento. “Queríamos começar a atuação partidária e formamos o PSDB, uma dissidência do PMDB de Mario Covas e Franco Montoro. Durante 23 anos, fiz parte do partido que ajudei a construir. Fui vereador eleito pelo PSDB com 660 votos. Nunca havia sido candidato. A base de meu eleitorado na época foi a dos universitários da Urcamp, família e amigos” – relata, salientando que foi presidente da Câmara em 1999 e prefeito interino por alguns dias, após a cassação do falecido Glenio Lemos. “Tentei a reeleição, no fim do mandato de 96 a 2000. Fiz quase 800 votos, mas havia reduzido o número de vereadores para 10 e o PSDB não teve votos para fazer sequer um vereador. Aí, desisti da política. Não concorri em 2008” – comenta.

Cavalheiro refere que em 2011 recebeu convite para filiar-se ao PMDB. “O PSDB não me possibilitava espaço e eu não concordava com a coligação do partido com o atual governo, porque muitas vezes eu ia com o pastor da minha igreja solicitar providências ao prefeito e secretários, em prol de congressos da igreja. Nunca foram atendidas. Daí veio a motivação para o retorno à vida política. Voltei para que as reivindicações da igreja tivessem eco” – acrescenta, lembrando ter feito 675 votos pelo PMDB.

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A vida evangélica 

Recordando o fim dos anos 90, o legislador eleito conta que conheceu a atual esposa, Daise, em 1999. “Ela falava da necessidade de frequentar uma igreja evangélica, pois fazia parte desde criança e não estava frequentando. Por querer voltar, ela me convidou para ir à Batista Nacional. Disse-lhe que poderia acompanhá-la, mas na comunidade Rocha Eterna, pois o pastor era meu amigo.

Durante 3 anos, eu não assistia aos cultos, levava e buscava a Daise. Até que um dia, em um churrasco na minha casa, a pastora Rosane – esposa do pastor Wagner – que durante muito tempo comandou a Wesleyana – mostrou-me na Bíblia palavras que ficaram na minha memória, ressoando. A partir dali, comecei a ir aos cultos e não faltei mais. Fiz uma doação do prédio onde hoje se localiza a Comunidade Rocha Eterna e ajudei a restaurá-lo” – explana. Cavalheiro faz alusão ao fato de que, após 6 anos na Rocha Eterna, foi convidado pelo empresário Marques para acompanhá-lo a um culto na Igreja Pentecostal Gideões da Fé. “Apaixonei-me pela obra dos Gideões e faço parte dos membros da igreja, sendo apenas o advogado da igreja, mas tenho vínculo com a Rocha Eterna, até em função da casa que é a sede do templo, ter sido a casa em que morei e fui criado com meus pais” – destaca.

Apaixonado por futebol, Hanney Cyd é torcedor do Internacional. “Gosto de todo tipo de esporte, mas prefiro o futebol, porque praticava” – diz. “Não gosto de mar, não gosto muito de campo. Gosto de estar rodeado de pessoas para conversar, não interessando a classe social. Gosto de conversar com pessoas mais velhas do que eu, pois elas me passam seu conhecimento e sua experiência” – pondera.

“Sou muito grato a meus pais, pelos ensinamentos de vida, de respeito ao ser humano. Sou do tempo em que quando chegava um tio, a gente ia pedir a bênção beijando-lhe a mão. Meu pai me ensinou a respeitar as pessoas, indigentes, tipos folclóricos. Se mexia com uma delas, ele dizia: ‘tu não estás livre de um dia ser um deles’. Se atirava uma pedra num passarinho, meu pai dizia: ‘tu gostarias de levar uma pedrada?’. Meu pai me ensinou a ser prepotente com os prepotentes, arrogante com os arrogantes e humilde com os humildes” – expõe.

O vereador eleito também faz menção a seus professores, dizendo: “sou grato a esses mestres, que não foram egoístas em partilhar seus conhecimentos em todos os graus comigo”. Menciona também os pastores evangélicos Fernando Pires (Gideões), Eder Lucas (Rocha Eterna), Carlos Augusto (É Hora de Fazer Missões), Erli (Deus é Fiel) e José (Tabernáculo e Jocum), bem como aos membros dessas igrejas. “Agradeço à minha família, amigos e aos clientes”. 

Convicção da mão de Deus 

Hanney Cyd Har Cavalheiro considera sua eleição uma ação de Deus. “Tenho certeza de que não foi uma ação do Hanney, sozinho. As pessoas foram importantes, muito mais do que eu, até e Deus mais ainda” – diz. Ele explica que fez campanha durante pouco mais de 15 dias, não teve comitê, nem carro som. “Não fui para área rural pedir votos, gastei menos do que em outras campanhas, trabalhei muito menos, incomodei-me muito menos. O crédito dessa eleição é para Deus. Eu havia desistido da política e todas as manhãs eu acordava e orava, dizendo que se fosse para eu ser eleito e honrar a palavra Dele, honrar minha igreja e ajudar minha cidade, que eu fosse eleito. Só Deus para me colocar lá. Pelo tempo que trabalhei, eu faria talvez 300 votos. Dificilmente alguém fica 12 anos fora da política e volta. Agindo Deus, quem impedirá?” – repete seus slogan de campanha.

O vereador eleito destaca que não depende de política e por isso estava afastado. “Deus me honrou, colocando-me na Câmara. Aí está. Sou evangélico, pois, se um dia alguma religião me mostrar que consegue curar doentes, recuperar drogados e alcoólatras, salvar casamentos e unir famílias de novo pela oração e pela fé em Deus, que me apresente” – conclui.

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