Beltrame fala que a corrupção ainda existe e continua sendo o grande problema

“Tiramos da chefia das corregedorias os policias e colocamos desembargadores aposentados do Tribunal de Justiça” 

Cleizer Maciel, Henrique Bachio, com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, durante entrevista na Rádio RCC FM. “Sem segurança pública, não existe nada. Não há desenvolvimento, não há educação…”, destacou o secretário, falando que a violência acaba com a economia de uma cidade.

Durante a entrevista, o Secretário do Rio de Janeiro falou sobre a luta interna para combater a corrupção na Polícia e no próprio sistema, que deveria estar combatendo o crime, mas estava ganhando dinheiro com ele.

RCC FM: Como o senhor conseguiu lidar com a corrupção e não comprometer as forças policiais neste processo de pacificação?

Beltrame: A corrupção é um problema, e não está resolvida, no Rio sobretudo, exatamente porque a ausência do Estado e grande enfoque do envolvimento dos policiais com o tráfico, com o jogo do bicho, eram problemas que também estavam introjetados no cenário da Segurança Pública. O tráfico, no início dos anos 70, instalou-se com a tal “falange vermelha” e, como em qualquer negócio, eles acabaram brigando pelo dinheiro. Criaram-se, então, outras três facções (Comando Vermelho, TCP- Terceiro Comando Puro e ADA-Amigo dos Amigos) e essas saíram pelo RJ tentando se instalar nos territórios, ou seja, nas favelas, que eram locais abandonados pelo Estado.

Nos outros países do mundo, esse tipo de violência se dá na periferia. Você não vê problemas de violência nas capitais. Mas no Rio é o contrário, pois essas facções se instalaram nos morros, a topografia do Rio permitiu isso. Esses grupos começaram a ganhar dinheiro e esse dinheiro desceu e começou a comprar a Polícia. Não podemos generalizar, mas um detalhe que muita gente esquece é que a corrupção não é somente policial, mas neste caso foi corrompido o sistema. As pessoas falam na Polícia, e com razão, porque ela é mais visível. Então, pegamos as corregedorias, tiramos das chefias os policiais e colocamos ali desembargadores do Tribunal de Justiça aposentados, que eram corregedores antes. E desde então, mais de mil policiais já foram punidos e mandados para a rua, um número que não nos orgulha.

O que deixo para as pessoas pensarem é que a corrupção não se dá somente na Polícia, mas em qualquer instituição, e é justamente ela que mais pune, pois não se vê maior punição contra a corrupção que na Polícia, a qual está mais visível.

Beltrame nasceu em uma família de descendência italiana. Ele é formado em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, em Administração de Empresas e Administração Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Especializou-se em Inteligência Estratégica na Universidade Salgado de Oliveira e na Escola Superior de Guerra. Fez curso de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública e de Análise de Dados de Inteligência Policial, Sistema Guardião.

Ingressou no Departamento de Polícia Federal no ano de 1981 como agente, principalmente, na área de repressão a entorpecentes. Exerceu funções no setor de inteligência, combatendo o crime organizado em vários estados brasileiros. Ministrou aulas e palestras no Curso de Pós-graduação em Inteligência e Segurança Pública da Universidade Federal do Mato Grosso. Na Superintendência da Polícia Federal, no Rio de Janeiro, como delegado de Polícia Federal, foi coordenador da Missão Suporte, e chefe do Serviço de Inteligência e da Interpol.

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