Parque Internacional X Grandes Eventos

De que forma as empresas conseguem permissão para explorar o local

O quase septuagenário Parque Internacional acabou virando alvo dos grandes eventos promovidos na Fronteira, entre Sant’Ana do Livramento (Brasil) e Rivera (Uruguai). O lugar bastante amplo e que acaba unindo os dois países, se tornou um local visado para eventos tradicionalistas, de bandas ou de cunho religioso. Os mais observadores da Fronteira apontam que o Parque acaba sendo utilizado pela falta de um amplo local para eventos e que beneficiem o público de ambas as cidades.

Mas de que forma estas mega estruturas conseguem chegar a se instalarem neste local?

Secretário Carlos Eduardo e Carina Helena Farias Benitez, da comissão do Parque

A pergunta, que já era de conhecimento público, foi ratificada na manhã de ontem (09), na Secretaria de Relações Institucionais e Captação de Recurso, onde o secretário Carlos Eduardo de Miranda Alves falou sobre a existência da Comissão Mista Internacional para Manutenção e Funcionamento do Parque Internacional, formada por oito representantes de ambas as cidades, sendo quatro de Rivera e quatro de Livramento. “Toda e qualquer empresa que queira usar o Parque Internacional, deverá procurar esta comissão, que analisará os pedidos e deliberará em comum acordo com todos os membros”, explicou o secretário.

A referida comissão foi criada através de Decreto nº 6.672 de 27 de novembro de 2013, em necessidade de regularizar a atuação da Comissão Mista Internacional, composta por representantes de Rivera e Livramento. A comissão poderá estudar, opinar e indicar ações executivas no referido parque, sendo composta pelos seguintes representantes: Carina Helena Farias Benitez; Ana Cristina Aseff Marandidis; José Newton Ribeiro Canabarro e Antonio Zuheir Wadie Bichara Badra (por Sant’Ana do Livramento) e Ariel Pereira, Leonidas Bayo, Carlos Migorena e Heberl Ferreira (por Rivera).

Conforme Carina Helena Farias Benitez, membro da comissão, os ofícios devem ser encaminhados ou para a Prefeitura Municipal ou para a Intendência de Rivera, onde serão analisados em no máximo dois dias. “Empresas que visem somente fins lucrativos, não estão sendo aceitas para se instalarem no Parque. Estamos temporariamente concedendo permissões para eventos que venham beneficiar, de alguma forma, a comunidade dos dois países”, destacou Carina.

Moradores reclamam do som alto e da depredação 

Comissão do Parque fala em projeto de embelezamento do local e fim dos grandes eventos

Juntamente com as grandes estruturas, os eventos realizados no Parque Internacional trazem também um som ambiente muito alto o que afeta diretamente os moradores da região. Conforme o relato de alguns moradores, no lado brasileiro o som é tão perturbador que eles chegam a sair de suas casas para evitar a fadiga.

Segundo Silvia Ronchi Shuler, que reside com sua família na avenida João Goulart há 26 anos, o problema se agravou nos últimos anos. “Antigamente não chegava a perturbar tanto, mas agora o som é insuportável. Quando ocorrem eventos no Parque, somos obrigados a deixar a casa e ir para a campanha. Os vidros tremem e não é possível sequer ouvir uma televisão. Para nos comunicar, somente em voz alta. Minha filha tem um filho pequeno e é extremamente insalubre para ele durante os eventos”, desabafou a moradora, que inclusive já tentou denunciar o fato às autoridades brasileiras, que não possuem material adequado para medir o som e evitar o abuso sonoro.

O relato de insatisfação é muito semelhante ao de um dos moradores da avenida Almirante Tamandaré. Segundo este segundo entrevistado, o Parque também sofre com a prostituição e com a vadiagem. “Moro aqui há 20 anos e não suportamos mais o que está ocorrendo no Parque Internacional. Em noites de eventos, o barulho é terrível e somente conseguimos dormir quando eles desligam seus equipamentos. Quando não há eventos, o parque parece um campo de guerra, com prostituição, brigas e vadiagem”, disse Mário Sian.

O Parque Internacional deverá receber, em breve, uma revitalização completa, que já está prevista e sendo anunciada pela Comissão Internacional. Com esta revitalização, os grandes eventos não poderão mais ser realizados no interior desta área limítrofe. “Será criado um espaço, apropriado para realização de feiras, mas não haverá mais espaço para eventos do porte como vem ocorrendo”, disse Carina Benitez.

 

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