SEQUESTRO EM FAMÍLIA

A tranquilidade do lar, de uma hora para outra pode se transformar em momentos de tensão. Em Sant’Ana do Livramento, nesta semana, a população parou ao se deparar com a notícia divulgada nas edições impressas e online de A Plateia. Uma idosa, de 64 anos teria sequestrado o neto de apenas 4 anos, em Franca, no estado de São Paulo e o trouxe para Livramento. Pouco tempo depois, quando o garoto é encontrado em Rivera, no Uruguai, descobre-se que o pai também estaria envolvido no caso, já que estava morando com o menino. A mãe, com o desaparecimento do filho, há quatro anos busca na justiça o direito de vê-lo. Agora, a reportagem desbrava, em entrevistas exclusivas, a situação da criança, os reais direitos dos pais e da avó e qual deverá ser o futuro do menino, mediante as decisões judiciais.

A avó, Dalva de Oliveira

Dalva de Oliveira, 64, foi presa pela Brigada Militar no dia 9 de abril, em frente a uma agência bancária no lado brasileiro, no momento em que iria realizar um saque. De acordo com o delegado Eduardo Finn, já que havia um mandado de prisão expedido pela Justiça Paulista, a polícia já estava atrás dela. Os funcionários do banco foram avisados que ela realizava mensalmente o saque de sua aposentadoria. Eles a identificaram e acionaram a Brigada Militar que realizou a prisão. Em entrevista, a idosa alegou que estaria sendo ameaçada pela justiça local e pela polícia de Franca, em São Paulo.

PALAVRA DO JUÍZ

A auxiliar de enfermagem aposentada Dalva de Oliveira, 64, que morava na Vila Santa Efigênia, em Franca, no estado de São Paulo, foi presa na última quarta-feira na Rua dos Andradas, em frente a uma agência bancária. A idosa teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Franca por manter o neto de apenas 4 anos detido na cidade de Rivera. Hoje, a criança está sob a guarda do Conselho Tutelar. Dalva foi encaminhada à Penitenciária Estadual, situada em Livramento e deverá ser transferida para uma prisão feminina, em Franca.

Na manhã de ontem, em entrevista a rádio RCC FM, Marciane Lanes, conselheira tutelar que acompanha o caso, contou que a criança estava aparentemente bem cuidada. “Ele foi entregue pelo pai, por quem demostrava ter certo afeto. Ele não sabe o que está acontecendo, desde os cinco meses ele foi retirado da mãe. A avó, infelizmente agiu de má forma para protegê-lo”. Marciane ainda revelou que a mãe, em Franca, estaria passando por um profundo estado depressivo.

No fim de 2010, a idosa ingressou com ação civil, em São Paulo, visando obter a guarda do neto. Os pais já estavam separados. Ela obteve liminar da justiça para ter a guarda provisória do garoto. Durante o processo, em novembro, o juíz responsável decidiu que a guarda deveria ser atribuída à mãe da criança.

O Ministério Público e o Poder Judiciário deram início às buscas e do rastreamento dos saques que ela fazia da aposentadoria, autorizados pela justiça. A idosa foi encontrada em São Paulo há poucos meses e cerca de sete, quando teria sido abordada por um oficial de justiça, ela teria dito que não estava mais com a criança e ao ter percebido que havia sido descoberta ela teria fugido para a Fronteira, onde foi presa na última semana.

Na tarde de ontem, o juíz Gildo Adagir Meneghello Junior, responsável pelo caso na cidade, concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal A Plateia, onde conta os detalhes do caso e o possível destino do garoto.

O Juíz Gildo Adagir Meneghello

A Plateia: No primeiro momento, porque foi dada a guarda provisória para a avó, já que é comum nos casos de separação dos pais, a criança ficar com a guarda da mãe ou do pai?

Dr. Gildo: Quanto às razões de a guarda ter sido originariamente deferida a avó, trata-se de matéria do processo e não posso informar, mas tal situação, em processos que tramitam nas varas de todo o Brasil não é inusitada.

A Plateia: Desde quando a mãe reivindica a guarda da criança?

Dr. Gildo: Ao que se sabe, há quase 4 anos. Desde que revertida a guarda, a avó estaria obstruindo a Justiça, deixando de entregar o menino à mãe.

A Plateia: Há a informação de que a avó estaria há sete meses morando no Uruguai com o neto e com o filho. O Pai do menino também pode sofrer alguma punição por estar junto?

Dr. Gildo: Há informações de que a avó paterna e o pai estariam com a criança no Uruguai e que não haveria parentes na região de Livramento, sendo que procuraram nosso Município e Rivera pela facilitada movimentação de pessoas entre ambos os Países. É possível que, em tese, e após o pai ter sido encontrado na posse da criança, que venha responder criminalmente pela situação.

A Plateia: Qual a situação do menino, com quem ele deve ficar?

Dr. Gildo: O menino se encontra sob os cuidados da Justiça de Infância e Juventude local, até que seja levado à Franca/SP, onde lhe será garantido o direito, até então negado pela avó, de ter contato com sua mãe e, queira Deus, possa vencer os traumas até então sofridos e restabelecer vínculos saudáveis com sua mãe e bem assim com o próprio pai.

Notícias Relacionadas

Os comentários são moderados. Para serem aceitos o cadastro do usuário deve estar completo. Não serão publicados textos ofensivos. A empresa jornalística não se responsabiliza pelas manifestações dos internautas.

Deixe uma resposta

Você deve estar Logando para postar um comentário.