CALENDÁRIO LITÚRGICO

O ano eclesiástico, vivido na liturgia, tem início no primeiro Domingo do Advento, prosseguindo quatro semanas na perspectiva de Natal do Senhor, que é a grande manifestação (epifania) do eterno Pai ao mundo na pessoa do frágil Menino de Belém, mas no infinito poder da Divindade, em prol do resgate da humanidade que jazia nas trevas do pecado, sobretudo, da idolatria. 

Posteriormente ao Natal, a liturgia revive alguns importantes episódios durante a infância de Jesus, como a fuga para o Egito em preservação da sua vida ameaçada pelo rei Herodes, a circuncisão, a perda e encontro do Menino no Templo…Permaneceu numa vida normal de trabalhos com sua mãe, Maria, e o pai adotivo, São José, na oficina de Nazaré, período chamado de vida oculta, até dar início à missão salvadora, a partir do batismo no rio Jordão pelo profeta precursor, João Batista, cuja festa é celebrada logo após à Epifania, solenidade da manifestacão do Divino Redentor ao mundo, através dos reis Magos, vindos de Oriente.

O querigma apostólico inicial da Igreja, ou seja, o anúncio da Boanova de Jesus Cristo, descrito nos Atos dos Apóstolos, partiu do batismo de Cristo, perpassando todo bem que praticou e culminando com a Ressurreição e Ascensão ao céu.

Estudando os santos Padres da Igreja, parece-me que a temática da pregação apostólica tem como prioridade o batismo do Senhor relacionado com o nosso, mas com significação diferente; porquanto, o dele é manifestação da Divindade e o nosso de purificação e conversão. Portanto, a analogia do batismo de Jesus com os seres meramente humanos reside na filiação divina de Jesus Cristo como Filho por natureza do mistério trinitário, ao passo que os homens e mulheres, por filiação adotiva e participativa da natureza divina, permanecendo, porém, somente a natureza humana, visto que, essencialmente, há uma profunda distinção entre o Criador e suas criaturas. Fora do Deus único e verdadeiro não há outro deus ou deuses.

Esta irrefutável verdade contesta frontalmente o panteísmo da Seicho-no-iê e da doutrina mormonista que prega a existência de um politeísmo de quatro deuses, não sabendo discernir as três Pessoas divinas na perfeita comunhão da unidade divina.

A liturgia, nos dias consecutivos à Epifania (Manifestação) da Divindade de Cristo aos Reis Magos, explana longos e maravilhosos comentários patrísticos concernentes à missão do Senhor, inicia no seu batismo, momento em que o eterno Pai apresenta ao mundo o Filho muito amado, com a recomendação de que todos os homens o ouçam, porque ele é o Verbo (a Palavra) enviado ao mundo como o único Salvador. Seria oportuno ressaltar alguns protagonistas: O bispo São Proclo de Constantinopla deixou-nos escrito: “Na precedente festa do nascimento do Salvador, a terra se alegrava por ter o Senhor no presépio; mas, neste dia das Teofanias, é o mar que exulta e estremece de júbilo, porque recebeu a bênção santificadora por meio do rio Jordão. Contemplai o novo e admirável dilúvio, maior e mais poderoso que o do tempo de Noé. No primeiro dilúvio, a água fez perecer o gênero humano; agora, porém, a água do batismo, pelo poder daquele que foi batizado por João, chama os mortos para a vida”.

São Máximo de Turim, bispo do século V, diz: “A consagração de Cristo é, sobretudo, a consagração da água”. Vemos na liturgia da Vigília Pascal, no momento da bênção da água batismal, o celebrante submergir na água o círio pascal que representa Cristo ressuscitado.

A fonte é purificadora, para que a graça batismal seja concedida aos povos que virão depois. Cristo nos precede no batismo com o objetivo de que os povos cristãos sigam confiantemente o seu exemplo. Aqui está o precípuo significado do nosso batismo: semelhantemente ao batismo do divino Salvador que o leva ao mundo anunciar o Reino de Deus, os purificados na água batismal vão, com Ele, anunciar a luz divina a todos aqueles que os receberem de corações abertos. Por isso, nos primórdios da Igreja, o batismo era denominado Sacramento da Iluminação. Daí, a exortação de São Gregório de Nazianzo, bispo do século IV: “Sede como luzes ao mundo, isto é, como uma força vivificante para os outros homens. Permanecendo como luzes perfeitas diante da grande Luz, sereis inundados pelo esplendor dessa luz que brilha no céu e iluminados com maior pureza e fulgor pela Trindade”. 

Pe. Hermes da Silva Ignácio.

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